terça-feira, 7 de setembro de 2021

Manifesto em Defesa da Monarquia Parlamentar

(In memoriam de D. Pedro II e da Princesa Isabel)


        "À vista da representação escrita, que foi entregue hoje às 3h da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda a minha família amanhã, deixando esta pátria, de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, eu com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade. Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889. D. Pedro d´Alcântara."

(A Família Imperial foi embarcada às 3 horas da madrugada, revelando o medo dos golpistas de uma possível reação popular assim que o Povo tomasse conhecimento do que realmente estava acontecendo: que o triste espetáculo não era apenas uma parada militar, como muitos pensaram.)

        As palavras acima foram ditadas por D. Pedro II ao Barão de Loreto em resposta à intimação que recebera do Mal. Deodoro da Fonseca, ao tomar conhecimento de sua deposição. Aquele momento não era apenas o fim de um Terceiro Reinado em que D. Isabel I teria tido as condições de levar adiante o 13 de Maio, provendo os libertos com os meios de que necessitariam para uma vida digna posterior.

        Na verdade, estavam sendo depostos os valores em que se assentara o Segundo Reinado, quais sejam: a defesa intransigente do interesse público; a plena liberdade de imprensa, de expressão, de pensamento e de iniciativa individual; a alternância dos partidos no poder; o primado do poder civil sobre os militares; a luta exitosa de décadas a favor das alforrias, da abolição e da igualdade civil e social; o cuidado como o meio ambiente; a inflação anual baixíssima, evitando penalizar os mais pobres; e a cobrança de responsabilidades às classes dirigentes.

        A república, após 130 anos, conseguiu a proeza de ter renegado a quase totalidade desses valores permanentes, a garantia de um País mais justo, próspero e democrático. Afinal, um regime em que se alastrou a corrupção sistêmica, em que a desigualdade social se tornou (quase) campeã mundial, e que tem uma classe política, que não representa o Povo Brasileiro em suas legítimas aspirações, está longe de ter um compromisso visceral com Sua Majestade o Interesse Público.

        Os votos de grandeza e prosperidade de Dom Pedro II, infelizmente, não se concretizaram. A rigor, a república caminhou na direção oposta, passando mesmo a colecionar décadas perdidas, exatamente como foi a sua primeira década com o Encilhamento. Hoje, sua desmoralização diante da população é evidente. A autoestima nacional foi parar no tornozelo.

        A trágica situação atual vivida pela Pátria Brasileira nos colocou diante do impensável. De um lado, a tentativa de mais uma intervenção militar que só não foi adiante pelo bom senso que vem prevalecendo nas Forças Armadas; de outro, instituições capengas incapazes de perceber o óbvio. Um STF que reabilitou Lula e colocou o juiz Moro sob suspeição. Um congresso que não se vexa em praticamente dobrar a verba para a campanha eleitoral de 2022 e que, por pouco, não restaurou a praga das coligações partidárias; e um poder executivo federal cujo apoio popular vem caindo a olhos vistos ao se tornar refém do velho e fisiológico Centrão.

        A defesa das instituições é coisa a ser levada a sério, mas não destas que estão aí. Pesquisa recente de opinião pública do Datafolha, de 25/09/2021, sobre a confiança popular nos poderes e nas instituições republicanas revelou um quadro desalentador. Não gozam da confiança popular. As instituições e valores a serem defendidos são os que tivemos sob o Segundo Reinado, com as devidas adequações. E não há saudosismo nesta afirmação. Elas são o caminho das pedras em direção à defesa do Interesse Público, da democracia, da igualdade, da prosperidade e da defesa do meio ambiente.

        Entre a perspectiva de mais uma intervenção militar e a manutenção das atuais e disfuncionais instituições, cabe ir além em direção a uma nova constituição em que o Interesse Público tenha a primazia. E que não misture legislação constitucional com a ordinária, como ocorreu com a de 1988, pródiga em acolher grupos de interesse. Essa nova configuração dos poderes precisa recolocar o eleitor brasileiro no controle dos políticos, livrando-o de ser manipulado por partidos cujo interesse maior é o próprio umbigo.

        Este é o caminho a ser seguido para um futuro em direção a um estado democrático, estável e próspero. Reflete também apreço pelo Povo Brasileiro a quem a Casa de Bragança soube e saberá manter fidelidade, e que foi tão desrespeitado pelas atuais práticas políticas. Como defensores da monarquia parlamentar, em que haverá um Chefe de Estado, um monarca, que não deverá favores a grupos econômicos ou partidários pela posição que ocupa, estamos confiantes que a res publica, ou seja, o Interesse Público, será mais bem preservado por uma monarquia parlamentar do que pela suposta república brasileira.

Publicado na Gazeta Imperial N. 287, uma publicação do Instituto Brasil Imperial. www.brasilimperial.org.br

Manifesto em Defesa da Monarquia Parlamentar

(In memoriam de D. Pedro II e da Princesa Isabel)           "À vista da representação escrita, que foi entregue hoje às 3h da tarde, re...